segunda-feira, março 31, 2008

As mulheres, o gato e o vizinho


Eram cinco horas da manhã. A casa ainda conservava o silêncio do sono dos justos, as mulheres permaneceriam dormindo até o amanhecer completo do dia se não fosse o barulho estridente que o forro de gesso, de um dos cômodos da casa, fez ao cair no chão. Atordoadas e assustadas, elas acordaram. Sem saber direito de onde vinha a zoada, resolveram esperar algum outro barulho que, com certeza, acompanharia aquele. Foi o que aconteceu, no meio do silêncio ecoou um miado desesperado. É um gato, uma das mulheres falou. Caiu do telhado, a outra complementou. O que vamos fazer?, indagou uma outra mulherzinha ainda sonolenta. É melhor não sair, o gato está assustado, escutem só o miado. Ele pode avançar na gente, advertiu uma a todas. O gato corria, miava, batia-se nos objetos. As mulheres conversavam, olhavam pela brecha da porta do quarto de dormir, calculavam o que fazer. Tomaram uma providência. Alô, seu Jorge, desculpas ligar a essa hora. É que tem um gato dentro da minha casa, ele está transtornado e estamos com medo. Será se o senhor poderia nos ajudar? Poucos minutos depois, seu Jorge, o vizinho, recebeu a chave da casa pela janela, abriu a porta, procurou, procurou, procurou e encontrou o bichano, espantado, embaixo da cama.

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