segunda-feira, abril 12, 2010

Quando ele disse que precisava me mostrar uma coisa, eu fiquei surpresa. Depois das confissões a queima roupa, o que mais poderia ser mostrado, o coração explodindo?, a minha face vermelha?, a minha euforia contida? Não questionei, deixei-me ser levada, pelo braço, para frente de um espelho. A minha expressão entregava o meu desentendimento, o que estamos fazendo aqui? Não foi preciso perguntar, ele se adiantou: Queria te mostrar que combinamos e que sempre quis que essas duas imagens ficassem juntas. Eu sorri e fiz um esforço enorme para que minha alma não saísse correndo e deixasse meu corpo ali, entregue e sem reação. Eu quis gritar, mas me contive. As pessoas ao redor não precisavam saber que sempre fui louca por ele. Mas ele precisava saber que eu concordava e gostava daquelas imagens refletidas juntas. Sorri...

Enquanto nos olhávamos no espelho, eu pensava na vida e nas suas inconstâncias que agregadas ao acaso forçaram o nosso encontro, fazendo renascer das cinzas um passado que nunca existiu e que por isso foi deixado para trás. A esperança é a primeira que ressuscita, seguida do desejo que me faz querer ainda mais aquele que eu sempre quis. Em silêncio.

Não vi quando todas as pessoas ao redor evaporaram. Minha atenção estava presa ao que eu havia recalcado. Nem mais o espelho existia. Eu tentava pensar, falar e ser presente, mas só ele existia. Só as palavras dele faziam sentido, só a sua agilidade em me imobilizar física e mentalmente me faziam confessar que valia a pena.

Vale a pena!

Um comentário:

Jessica Lia disse...

como vale a pena!!! como não a felicidade não vale a pena? curta muitoooooo este momento!!

=***