sábado, agosto 07, 2010

Na manhã daquela primeira segunda-feira do mês de agosto eu decidi que não faria absolutamente nada. Com a consciência tranquila e com o espírito leve, abri mão de discussões antropológicas e sentei-me na beira do rio Guamá (no campus da UFPA). Substitui as teorias pela prática de sentir o vento batendo no meu corpo, pela visão dos barcos subindo e descendo o rio, pela audição dos cantos dos pássaros e da música clássica que vinha da Capela Ecumênica, pelo cheiro das plantas, da terra molhada – prazeres raros.

Enquanto eu me misturava com a natureza, o meu amigo, que vive sufocado com uma gravata e com pilhas de processos, mandou-me um torpedo. A mensagem era tão bonita e que resolvi quebrar a promessa de isolamento e não uso de tecnologias. Liguei para ele e contei o que estava fazendo, falei que tinha um barquinho ancorado em frente, que eu estava interagindo, com mímicas, com as crianças que estavam lá dentro, que eu me sentia leve e aquela era a visão do paraíso. Prometi fotografar o cenário, guardaria em imagem o presente que a natureza tinha me dado e que eu tinha me permitido receber.

Assim que retornei, mostrei-lhe os registros fotográficos que fiz. Ele, sem esconder suas emoções, disse que fica encantado e profundamente impressionado com o poder que tenho de idealizar as coisas que vejo.

2 comentários:

Parreira disse...

A rara sensibilidade Joânica!

Tied Guy disse...

Idealização, ou sensibilidade? É a beleza de quem vê que faz o belo. Mas não se engane, foi sol em dia nublado pra mim, a beleza de suas vistas.