quarta-feira, agosto 25, 2010

Acordei cedo, passei pó compacto e saí para dar a cara a tapas. Simbolicamente, é claro. A expressão não tem nada a ver com violência simbólica. Eu não fui agredida, muito pelo contrário eu fui massageada com elogios sinceros, com críticas plausíveis e com sugestões riquíssimas.

A minha orientadora disse que gostou da minha tranquilidade e da forma como eu respondi os questionamentos. Embora estivesse tranquila, eu estava apreensiva. A preocupação foi se perdendo em meio aos comentários, as críticas e a sensação de dever cumprido. Não terminei o mestrado, apenas passei no exame de qualificação. Talvez isso não seja muita coisa porque a partir de agora é que as coisas começam a complicar e o processo de análise e escrita fica mais denso e intenso. Talvez não seja muita coisa, mas para mim foi. E a minha orientadora sabe disso, senti pelo abraço apertado que ela me deu.

Durante quase duas horas eu fui avaliada. A outra professora da banca falou que eu tinha maturidade teórica e afinidade com o tema, mas que eu fazia confusão com dois termos que parecem, mas não são sinônimos. Disse que meu projeto era claro, coeso, coerente e consistente, mas eu tinha me esquecido de colocar nas referências bibliográficas um autor que foi citado no texto e que por sinal estava na banca.

O autor citado e esquecido, que durante quase cinco meses foi o meu diário de campo alternativo e vivo, sugeriu que eu repensasse as teorias generalistas que uso e elogiou o meu texto arredondado, acabado, sem muitas brechas, mas disse que ficou com a impressão que eu tinha todo o material e não tive fôlego para ir adiante.

Agradeci todos os comentários e expliquei o que não estava claro. O meu texto fechado e sem outros elementos foi proposital. Depois de ler vários trabalhos da área e de pensar em como passaria para o papel tudo o que eu havia pesquisado, observado, ouvido, eu adotei um estilo. Estilo que não é só meu, é uma junção dos escritos que considero bons. Se eu fosse dizer isso de forma antropológica eu diria que fiz uma Imitação Prestigiosa, segundo Mauss.

O professor disse que estranhou o fato de eu me esquecer de citar os autores na bibliografia, pois eu sou uma pesquisadora atenta, disciplinada, dedicada, obediente e que vou atrás de tudo, de todos os detalhes, perturbando os professores, os colegas, os amigos, sendo até chata na minha busca. A outra professora disse que isso é humildade. Eu sorri. Porque eu vou atrás mesmo, leio, releio os textos, peço dicas pros professores e colegas, peço revisão de texto, falo do meu trabalho e ponho-me a disposição dos meus colegas e amigos. Faço tudo isso pelo simples fato de amar e ser apaixonada pelo o que faço.

3 comentários:

Parreira disse...

Essa é a Joana! Dizer o que além de parabéns?

Seu Barriga disse...

Hora de puxar a plaquinha: Eu já sabia!

Julianna Menezes disse...

Fico feliz de vc estar feliz.............Nosso aniversário tá chegando!
Bei-Jú