sábado, março 30, 2013



Querido Procaz,

Balu veio passar o feriado aqui. Trouxe uma bagagem cheia de histórias tragicômicas. Durante duas horas ela falou, ininterruptamente, sobre o que aconteceu na sua vida nos últimos seis meses. Transmitia tanto sentimento em sua fala que chegava a ser engraçado, mesmo quando não deveria ser. Depois de contar tudo, ela me passou a palavra. Resumi as minhas histórias em apenas trinta minutos de empolgação e drama gratuito. Foi uma verdadeira sessão de catarse risível. Quando acalmamos os ânimos e relaxamos os músculos da face que já doíam do tanto que sorrimos, ela revelou que tinha deixado o melhor para depois. E contou, com muita calma, a história mais, mais, mais [sem palavras para descrever]. Nem a deixei concluir, disse: Se o procaz tivesse aqui, eu ligaria para ele agora! Ela entendeu o porquê de eu ter associado a história ao seu nome, riu e concordou com a minha lembrança. 

Balu trouxe várias histórias e com elas uma saudade imensa de ti. Saudade de te ouvir dizer que sente saudade até de quem não sente saudade. Saudade das tuas loucuras, do teu jeito sem jeito de me perguntar algo que eu não queria e nem ia responder. Saudade das broncas, dos conselhos, das brincadeiras. Saudade da distância e da proximidade que mantínhamos. Saudade de saber que eu teria com quem contar. Saudade de te ouvir dizer que sou volúvel, vulnerável e ignorante. Saudade de te contrariar. Saudade de te colocar nas costas e te derrubar. Saudade de te ouvir dizer que eu não entendo nada. Saudade de te encontrar em sonhos. Saudade de ti.

Balu trouxe a filosofia do eterno retorno. Trouxe a saudade que não machuca. A saudade que aceita que nossos universos são paralelos e que cada um deve permanecer no seu mundo e evoluir a sua maneira. A saudade que é compreensível e que mesmo fazendo brotar lágrimas, é feliz.
Com afeto,
Primadonna


Um comentário:

Raniere Carvalho disse...

Mais uma vez seus textos me encantando. Sou fã