Querido Procaz,
Balu veio passar o feriado aqui.
Trouxe uma bagagem cheia de histórias tragicômicas. Durante duas horas ela
falou, ininterruptamente, sobre o que aconteceu na sua vida nos últimos seis
meses. Transmitia tanto sentimento em sua fala que chegava a ser engraçado,
mesmo quando não deveria ser. Depois de contar tudo, ela me passou a palavra.
Resumi as minhas histórias em apenas trinta minutos de empolgação e drama
gratuito. Foi uma verdadeira sessão de catarse risível. Quando acalmamos os ânimos
e relaxamos os músculos da face que já doíam do tanto que sorrimos, ela revelou
que tinha deixado o melhor para depois. E contou, com muita calma, a história
mais, mais, mais [sem palavras para descrever]. Nem a deixei concluir, disse:
Se o procaz tivesse aqui, eu ligaria para ele agora! Ela entendeu o porquê de
eu ter associado a história ao seu nome, riu e concordou com a minha lembrança.
Balu trouxe várias histórias e
com elas uma saudade imensa de ti. Saudade de te ouvir dizer que sente saudade
até de quem não sente saudade. Saudade das tuas loucuras, do teu jeito sem
jeito de me perguntar algo que eu não queria e nem ia responder. Saudade das
broncas, dos conselhos, das brincadeiras. Saudade da distância e da proximidade
que mantínhamos. Saudade de saber que eu teria com quem contar. Saudade de te
ouvir dizer que sou volúvel, vulnerável e ignorante. Saudade de te contrariar.
Saudade de te colocar nas costas e te derrubar. Saudade de te ouvir dizer que
eu não entendo nada. Saudade de te encontrar em sonhos. Saudade de ti.
Balu trouxe a filosofia do eterno
retorno. Trouxe a saudade que não machuca. A saudade que aceita que nossos universos
são paralelos e que cada um deve permanecer no seu mundo e evoluir a sua
maneira. A saudade que é compreensível e que mesmo fazendo brotar lágrimas, é
feliz.
Com afeto,
Primadonna
Um comentário:
Mais uma vez seus textos me encantando. Sou fã
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