quarta-feira, junho 30, 2010

A cuscuzeira queimou. Meu cuscuz de arroz ficou torrado, a panela quase fundiu, a catinga de queimado tomou de conta da casa. Falei alguns palavrões, desliguei o fogo e fui pro quarto chorar. Chorei por um minuto e fui procurar outra coisa para comer. Já passava das nove e eu ainda não tinha tomado o meu café da manhã. Comi biscoito e chorei de novo.
As lágrimas não iam preparar a minha aula de hoje. Então, eu resolvi enfrentar o texto.  Mesmo dispersa, sensível e alguma coisa que ainda não consegui definir, eu precisava esquematizar o texto. Precisava dar aula e precisava avaliar uma prova que eu não entendi nada. Respirei fundo e fiz o que era preciso fazer.
A aula foi péssima. Não consegui desenvolver o raciocínio e ficamos nos comentários rasos sobre mídia, ditadura da beleza e discurso médico. Os alunos não leram o segundo texto, mas pelo menos não atrapalharam. A minha lombar doía, os alunos já estavam impacientes e eu resolvi encerrar a aula. Entreguei as provas, mas antes teci alguns comentários. Não sei o que eles acham das aulas, esse retorno é muito lento, quase inexistente.
Saí da sala e liguei para ele, meu amigo, companheiro. Eu precisava conversar. Encontrei uma colega no corredor, conversamos. Meu amigo chegou, conversamos sobre docência e dores nas costas. Três jovens, na docência e com dores nas costas. A vida segue.
Voltei para casa. No meio do caminho lembrei que tinha entregado as provas dos alunos sem anotar as notas (passar para a caderneta). Tive uma crise de riso. Falta de costume, dispersão, muita coisa na cabeça, só dá nisso.  A minha sorte é que a prova foi feita em grupo e eu só não consigo me lembrar de duas notas. Amanhã aplicarei a última prova e resolverei esse incidente.
Ainda bem que o período está acabando. As minhas forças estão indo junto. Eu preciso me renovar urgentemente.
Acaba logo, junho (que mais parece agosto!)

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